Alzheimer: Desmistificar a doença

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Quando se aborda as questões das demências, emergem, comummente, diversas dúvidas. Com o presente artigo, pretende-se esclarecer algumas delas, relacionadas com uma demência em particular- a Doença de Alzheimer.

Como é sabido, em Portugal, bem como na generalidade dos países europeus, fruto da baixa taxa de natalidade e aumento da esperança média de vida, temos vindo a assistir a uma tendência acentuada para o crescimento da população idosa. De acordo com dados da Eurostat, estima-se que a percentagem de idosos portugueses duplicará entre 2005 e 2050, podendo chegar aos 31,9% da população.

O processo de envelhecimento acarreta consigo algumas perdas a nível biopsicossocial, gradualmente. No entanto, nem todas as perdas constituem quadros clínicos de demências, contrariamente à Doença de Alzheimer.

A Doença de Alzheimer, é um tipo de demência que, provoca deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas- memória, desorientação, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras. Traz alterações no comportamento, na personalidade, na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização de atividades da vida diária.

É uma doença neuro degenerativa, caracterizada pela morte neuronal em determinadas zonas do cérebro, originando o aparecimento de tranças fibrilhares e placas senis, impossibilitando a comunicação entre as células nervosas. Usualmente, acontece a partir dos 65 anos de idade, embora possa surgir em idades mais precoces.

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Numa fase inicial, os principais sintomas assentam em lapsos de memória, desorientação espacio-temporal (as pessoas costumam perder-se) e incapacidade de encontrar palavras certas para os objetos do quotidiano. Para além destes, verifica-se ainda: dificuldades de memória persistentes e frequentes, sobretudo de acontecimentos recentes; apresentação de um discurso vago, durante as conversações; perda de entusiasmo na realização de atividades apreciadas anteriormente; necessidade de mais tempo para a realização de atividades de rotina; esquecimento de pessoas ou lugares conhecidos; e, dificuldade na compreensão de questões e instruções que lhes são dadas.

Actualmente desconhece-se a causa específica do aparecimento da doença, contudo, considera-se que, factores ambientais, perturbações bioquímicas e processos imunitários, podem estar na sua origem. Segundo estudos científicos, a doença não é hereditária.

A avaliação clínica cuidadosa, através de história médica detalhada, exame físico e neurológico aprofundado, exame do funcionamento intelectual, avaliação psiquiátrica, avaliação neuropsicológica, análises laboratoriais ao sangue e urina, deve ser feita atempadamente, por forma a intervir-se adequadamente nas áreas deficitárias. Infelizmente, devido a desconhecimento de sintomatologia associada, o recurso a ajuda especializada é feita tardiamente, tanto por doentes como por familiares.

Apesar da Doença de Alzheimer não ter cura, podemos amenizar a sua progressão. Aqui, a intervenção multidisciplinar assume um papel primordial. O recurso a fármacos, para a estabilização do funcionamento cognitivo (memória) e não cognitivos (agitação, ansiedade) e, as respostas não farmacológicas, desde programas de estimulação cognitiva, terapias de orientação na realidade, entre muitas outras, podem proporcionar maior qualidade de vida ao doente e familiares.

Finalmente, não podia deixar de enaltecer, o papel fulcral dos cuidadores destes doentes. Têm uma tarefa árdua. Demasiado exigente. São, diariamente, expostos a situações de desgaste físico e emocionais avassaladores. Alguns, incorrem em esgotamento e depressões. Os cuidadores, conferem dignidade a estes doentes, sendo um suporte essencial às suas vidas.

Eduardo Santos
PSICOLOGIA

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